quinta-feira, 19 de abril de 2018

Mulheres e Religião no Audiovisual: primeira reunião do MIRE

A primeira reunião do Grupo de Estudos Mídia, Religião e Cultura (MIRE), atividade do GP Comunicação e Religião da INTERCOM, em 2018 foi realizada em 17 de abril, no Centro Cultural José Marques de Melo – INTERCOM Pinheiros.

A reunião teve como tema “Mulheres e Religião no audiovisual”, com estudo conduzido pelas doutorandas em Comunicação Social da UMESP Patrícia Machado e Patrícia Garcia, com instigante discussão coletiva, aplicativa, do filme “Maria Madalena”. Além dos 11 pesquisadores/as presentes, 13 participantes interagiram pelo link (fechado) da transmissão ao vivo do Youtube, e 62 pessoas participaram pela transmissão ao vivo pelo Facebook, disponível aqui.

As próximas reuniões acontecerão em 29 de maio, 19 de junho, 15 de agosto e 23 de outubro.



MIRE agora é Grupo de Estudos de Grupo de Pesquisa da INTERCOM


A partir de 2018, o MIRE está reformulado como Grupo de Estudos Mídia, Religião e Cultura (MIRE) e passa a ser parte das atividades do Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação).

Os encontros mensais foram retomados neste mês de abril, conforme notícia anterior e as outras atividades reativadas. Vejam o plano de trabalho aprovado pela Intercom:

1) Colóquios mensais presenciais em São Paulo, a partir de abril de 2018 com transmissão on-line para participação de pesquisadores/as de outras cidades do Brasil: discussão de textos de referência e/ou apresentação de pesquisas relacionadas à interface comunicação e religião. A reunião de abril foi realizada no dia 17 (notícia anterior) e as próximas serão realizadas em: 29 de maio, 19 de junho, 15 de agosto, 23 de outubro), com transmissão ao vivo pela internet. 

2) Seminários em Mídia, Religião e Cultura: um seminário em 2018 e um seminário por semestre a partir de 2018, com um dia de duração (duas sessões – manhã e tarde), com temas desenvolvidos por convidados/as e aberto à participação de pessoas interessadas. Segundo semestre de 2018, novembro: tema a ser definido em breve em diálogo com os integrantes do Grupo de Estudos. 
Os colóquios e seminários serão realizados no Centro Cultural José Marques de Mello - Intercom/SP, no bairro de Pinheiros, cidade de São Paulo.

3) Articulação da publicação da segunda coletânea do grupo: livro “Mídia, Religião e Gênero”, coedição Intercom e Editora Prismas.

4) Presença maciça no Congresso Nacional Intercom para apresentação de trabalhos no GP Comunicação e Religião. Em 2018, Universidade de Joinville (Univille), com GP funcionando nos dias 5 a 7 de setembro. As inscrições tiveram início em 2 de abril e vão menor custo tem mais barata fica a taxa de inscrição. Vejam aqui: http://www.portalintercom.org.br/eventos1/congresso-nacional/calendario-e-taxa


Integrantes do MIRE defendem teses de doutorado com boa aprovação

De dezembro a abril, três integrantes do MIRE defenderam teses de doutorado, com boa aprovação:

- 11 de dezembro de 2017: Ronivaldo Moreira obteve aprovação da tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo: "A simbiose discursiva entre religião e mercado : um estudo do discurso da Igreja Universal do Reino de Deus na perspectiva do consumo". Acesso ao texto aqui.

- 29 de janeiro de 2018: Luis Erlin obteve aprovação da tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo: "Comunicação (i)material com as divindades: tipos e formas de ex-votos na religiosidade popular". Acesso ao texto aqui.


- 6 de abril de 2018: Alexandra Gonsalez obteve aprovação da tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo: "Mídia, Religião e Mulheres em situação-limite: vitimização vs superação". Texto ainda não disponível na biblioteca da universidade.


Estas teses serão apresentadas nas reuniões do MIRE em maio e junho de 2018. Acompanhem!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Pesquisador do MIRE oferece workshop sobre Islam e Mídia


Islam e Mídia é o tema do workshop promovido pela Cátedra UNESCO de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo realiza, em 23 de novembro, oferecido pelo atual porta-voz da Comunidade Islâmica Brasileira, o pesquisador do MIRE e mestrando da Metodista Sheikh Jihad Hammadeh. Sheikh Jihad Hammadeh estudou Teologia e Jurisprudência Islâmicas pela Madina Islamic University (Arábia Saudita). Os temas debatidos foram a apresentação histórica do Islam, suas bases teóricas e práticas e as formas que a comunidade islâmica tem encontrado de enfrentar a representação negativa deste grupo religioso pelas mídias.


MIRE promove com Grupo Teologia no Plural Colóquio Mídia, Religião e Gênero e fecha 2017 com tema instigante

Como as expressões de gênero são compreendidas e comunicadas pelas religiões? Essa provocação guiou as discussões do Colóquio Mídia, Religião e Gênero, realizado na última terça-feira (21 de novembro) com promoção do Grupo MIRE em parceria com o Grupo de Pesquisa Teologia no Plural do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo. Pastores de uma igreja inclusiva, um líder religioso do Candomblé e um ex-evangélico falaram sobre suas experiências de vida, vivências religiosas, discriminação e a importância do diálogo e da inclusão, no evento que foi organizado pelo pesquisador do MIRE Prof. Dr. Marcos Corrêa Kiambu.

O reverendo Cristiano Valério, da Igreja da Comunidade Metropolitana – ICM São Paulo, apresentou a história da ICM que acolhe a comunidade LGBT desde 1968, quando foi fundada nos Estados Unidos pelo reverendo Troy Perry. “Somos apenas uma página na história da Igreja, mas temos uma missão ousada com consequências para a Igreja toda. Agora, vemos comunidades mais tradicionais que abrem espaço à escuta afirmativa”, diz.

Para a pastora Alexya Salvador, ser recebida pela ICM representou a oportunidade de se tornar uma mulher plena e feliz. “Ser pastora trans no Brasil não é para qualquer pessoa e eu colho resultados disso. Percebo que a nossa mídia ainda é proeminentemente feita e conduzida por homens e percebemos o machismo que detém o poder e conduz tudo”, comenta a respeito da representação da comunidade LGBT nos veículos de comunicação.

Apesar da representatividade tão escassa, a pastora ressalta que as redes sociais vêm ajudando o desenvolvimento de um diálogo mais direto com as pessoas e maior divulgação dos grupos marginalizados pela sociedade. “Jamais poderia imaginar que eu, como mulher trans, estaria dentro de uma Universidade Metodista. Eu sei que isso é resultado das mídias”.

Espaços de convivência nas redes

Nas redes sociais, também, Samuel Gomes encontrou uma forma de se conhecer melhor e de contar suas histórias. Criado em uma família extremamente religiosa, o jovem encontrava dificuldade em lidar com sua homossexualidade. Hoje, faz questão de se apresentar como “preto, pobre, ex-evangélico, periférico e gay”, adjetivos que causaram sofrimento durante muitos anos em sua vida, mas que hoje permitem a identificação junto a outras pessoas na rede e em seu canal do Youtube “Guardei no Armário”, que também foi o título de seu livro, resultado de tantos textos escritos em seu blog, com histórias de descoberta e vivências fora do espectro da Igreja, em que sua família estava tão concentrada.


“Eu tinha medo de meus familiares não saberem lidar com minha sexualidade. Tive um período de sofrimento e solidão. Eram muitos medos, muitas dúvidas: eu vou para o inferno? Vou decepcionar meus pais? Será que sou errado?”, essas dúvidas somente foram respondidas quando o jovem encontrou outras pessoas que compreendiam o que ele vivenciava e o aceitavam da maneira que era. Assim, passou por um processo de autoaceitação: “depois de todas essas discussões que acompanhamos, a conclusão que podemos chegar é de que existe apenas uma doença – a LGBTfobia”.

E é contra a discriminação que as religiões de matriz africana lutam, ainda hoje, no Brasil. Rodney William, antropólogo, escritor e babalorixá, enfatiza que o Candomblé é uma religião de resistência. Em contraponto à visão preconceituosa que a maioria das pessoas tem em relação ao Candomblé, William chama a atenção ao aspecto acolhedor e aberto da religião: “antes que tudo isso [direitos da comunidade LGBT] fosse colocado em discussão, o Candomblé já fazia esse acolhimento, já acolhia essas pessoas que não eram aceitas em outros espaços”, declara.

Rodney William escreve uma coluna no site da revista Carta Capital e recebe uma grande de quantidade de comentários preconceituosos, que revela não ler. Em meio a tanta discriminação vivenciada nos dias de hoje, o pesquisador diz se ater à esperança de uma sociedade mais tolerante. “Me apoio na esperança de que possamos viver em mundo em que não haja essa divisão. Sei o quão difícil é lutar para existir”, comenta a respeito da luta da comunidade LGBT, em paralelo à luta dos negros no Brasil.

O conteúdo completo do Colóquio pode ser assistido aqui.

Pesquisadoras do MIRE oferecem workshop relacionado às pesquisas que realizam no desenvolvimento do doutoradoo





Por Vittória Cataldo

Quinta-feira, 19 de outubro, a Cátedra Unesco/Metodista promoveu o Workshop UNESCOM “Mulheres no audiovisual”, ministrado pelas integrantes do Grupo MIRE Patrícia Garcia, doutoranda e mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), e Patrícia Machado, doutoranda e mestre em Comunicação Social também pela UMESP.

O evento teve por objetivo discutir a relação e o papel da mulher no audiovisual, desde o cinema às mídias sociais.

Patrícia Machado focou sua apresentação no papel da mulher no cinema. Ela fez um apanhado histórico do cinema, que surgiu no final do século XIX misturando racionalismo/cientificidade com a resistência do imaginário. De acordo com Machado, tudo começou com Thomas Jeferson, nos EUA, com a criação do cinescópio e a invenção do primeiro estúdio da época, Black Maria Studios, onde faziam experimentos e a movimentação de imagens. Logos depois vieram os irmãos industriais Lumiére, em 1895, trazendo o primeiro registro fílmico “Saída dos operários”.

A tecnologia desenvolvida pela cientificidade empírica na época trouxe à luz um sonho mítico que acompanhou o ser humano por muito tempo: a movimentação das imagens. Machado explica que a ciência e a imaginação escaparam do debate religioso e foram desprezadas pelos artistas intelectuais, porém, conquistaram o público no ato de contar histórias.

A primeira mulher no cinema foi Alice Guy Baché, conhecida como a verdadeira mãe do cinema, com o The Cabagge fairy de 1896. As novas divindades passaram a ser chamadas de estrelas. No entanto, foram minuciosamente pensadas e construídas pela indústria e divulgadas universalmente pela imprensa de massa. Atores e atrizes tornaram-se referência para o público, misturando mais uma vez o real e o imaginário.

Machado ressaltou que na época várias atrizes foram exploradas. Chamadas “estrelas trágicas”, muitas viveram em condições de miséria e chegaram a cometer suicídio, mesmo trabalhando no cinema e sendo reconhecidas pelo público.

Ela esclareceu também que no início o cinema transmitia a imagem da mulher misteriosa, mas com o passar do tempo o foco foi alterado é as atrizes passaram a ser vistas como sensuais. “Em um mundo governado por um desequilíbrio sexual, o olhar masculino determinante projetou sua fantasia na figura feminina e as mulheres começaram a ser olhadas e exibidas”, destacou Machado.

Já Patrícia Garcia falou sobre as influenciadoras digitais evangélicas no Youtube. Mas antes de abordar o assunto, trouxe dados sobre a população feminina, que chega a 51,4% no país. Segundo ela, no trabalho formal, as mulheres ocupam 40,8% das vagas e possuem salários menores do que os dos homens em todos os cargos, até mesmo no setor audiovisual, onde representam uma porcentagem de 40%, de acordo com uma pesquisa realizada pela Catho.

Garcia disse que as Influenciadoras Digitais têm mais aceitabilidade do público em campanhas publicitárias, principalmente na categoria de entretenimento. De acordo com ela, as youtubers se expandiram para outras áreas, como a literatura, o cinema e o teatro.

Concluindo o evento, Patrícia Garcia apresentou uma série de vídeos produzidos pelas principais youtubers brasileiras e abriu um debate sobre o tema para todos os participantes.

MIRE reflete sobre imagens de devoção na religiosidade latino-americana

A reunião de outubro de 2017 do MIRE contou a participação especial do Prof. Dr. João Rangel Marcelo (na segunda fila da foto, à esq.), da UNITAU, que apresentou suas pesquisas em torno das imagens na religiosidade popular latino-americana. Fotógrafo e professor de fotografia Rangel trouxe ao grupo o desafio de trabalhar com imagens da religiosidade sob o viés do popular.